05 / 12 / 2017
Hupe vê crise se agravar e pode fechar nos próximos dias

O Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) corre risco de fechar nos próximos dias, caso o Governo do Estado não regularize o pagamento dos funcionários. A medida foi anunciada na manhã desta terça-feira, 05, pelo diretor da unidade, Edmar Santos, em reunião com o presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, e os diretores do CRM Erika Reis e Serafim Borges.

Segundo a direção, o hospital está com déficit de recursos humanos, em virtude dos salários atrasados: ainda não foram pagos metade do mês de setembro nem outubro e novembro inteiros de 2017, além do 13º do ano passado. Para garantir a segurança e a qualidade da assistência, no último dia 30, o Hupe suspendeu as internações e anunciou que manterá ativos apenas 180 dos 250 leitos disponíveis.

“Estamos vivendo um momento muito difícil. Exauri todos os mecanismos que tinha para manter a unidade aberta. Com todos esses problemas, há grande esgotamento psicológico e endividamento dos funcionários. Isso está fazendo com que o compromisso de manter o atendimento não se sustente mais. Precisamos de uma ação integrada para cobrar do governo uma solução definitiva”, alertou o diretor.

A crise que atinge o Hupe teve início em 2015 e tem impactado diretamente a manutenção da infraestrutura do hospital. Serviços importantes, como os transplantes, foram drasticamente reduzidos. Cirurgias eletivas e de emergência também sofreram restrições.

Outra preocupação é com a continuidade da residência médica. A direção do CREMERJ também se reuniu com os responsáveis pelo programa, que se mostraram muito preocupados com a formação dos profissionais devido à redução dos serviços. O presidente da Associação dos Médicos Residentes do Estado do Rio de Janeiro (Amererj), Francisco Coelho, participou da reunião e salientou a importância das residências do Hupe para a qualificação dos profissionais.

Nelson Nahon informou que o CREMERJ irá à Procuradoria Geral do Estado (PGE-RJ) para conversar sobre a situação do Hupe e de toda a rede de saúde pública do Rio de Janeiro.

“Existe o risco concreto de fechamento do Hupe, e a responsabilidade direta é do governador Luiz Fernando Pezão. O Hupe é extremamente importante e não pode fechar, pois será um prejuízo muito grande para a assistência da população fluminense. Vamos lutar para que o governador decrete estado de calamidade pública da saúde do Rio de Janeiro”, disse Nelson Nahon.