22 / 11 / 2017
Café da Cocem ocorre no Hospital Municipal Salgado Filho

O diretor do CREMERJ Serafim Borges e o conselheiro Pablo Vazquez estiveram, nessa terça-feira, 21, no Hospital Municipal Salgado Filho para uma reunião com membros da comissão de ética médica da unidade, em mais uma edição do Café com a Cocem. Durante o encontro foram discutidas questões referentes à comissão de ética médica, à residência, ao funcionamento da unidade e à assistência à população.

Serafim Borges abriu o encontro falando sobre o objetivo do Café da Cocem, que é fazer uma aproximação do Conselho com as comissões de ética e também conhecer as demandas das unidades. Em seguida, os médicos tiraram dúvidas sobre as próximas eleições da comissão, que acontecerão em dezembro. Também foi debatida sobre a nova resolução das comissões de ética, que possibilitam a participação de residentes e aposentados.

Serafim Borges informou que o CREMERJ recebeu informações que a unidade está passando por dificuldades devido ao déficit de recursos humanos, a falta de insumos e medicamentos e a suspensão das cirurgias eletivas. A presidente da comissão de ética médica do Salgado Filho, Cristina Amorim, confirmou as informações. Ela contou que todas as equipes médicas estão incompletas nos plantões e que a emergência tem sido o serviço mais afetado. A especialidade de clínica médica é a mais deficitária.

“A nossa emergência funciona, em média, com quatro profissionais por plantão, mas o ideal seria seis. À noite temos apenas dois profissionais atuando. Nos finais de semana sempre há grande carência de médicos, mesmo sendo os dias de mais movimentação na emergência. Além disso, temos a possibilidade de reduzir ainda mais o quadro num curto tempo, devido às aposentadorias”, alertou Cristina.

A situação pode se agravar, caso a prefeitura não renove os contratos temporários dos médicos. Segundo a comissão de ética, os contratos terminam no final de dezembro e, até agora, a gestão municipal não sinalizou se haverá renovação.

Os médicos também confirmaram a falta de insumos e medicamentos. A médica Leila Quintarelli relatou que a unidade teve uma redução na verba, o que impactou a compra desses materiais. Por conta disso, muitas cirurgias eletivas estão sendo suspensas.

“Geralmente, o hospital, no final do ano, tinha um estoque suficiente até janeiro do próximo ano, mas dessa vez não conseguimos manter esse cronograma devido à demanda da emergência, que aumentou muito nos últimos meses. Para poder manter o atendimento na emergência, suspendemos as cirurgias eletivas. Não temos um hospital de retaguarda para dar um suporte aos pacientes que chegam aqui muito agravados. A deficiência da saúde básica agrava esse problema”, acrescentou.

Bate papo com os residentes

Após a reunião, Serafim Borges e Pablo Vazquez estiveram nos serviços de ginecologia e de pediatria para conversar com os residentes sobre denúncias passadas ao CREMERJ a respeito de entraves ao andamento da residência. No serviço de ginecologia, os residentes confirmaram que as cirurgias eletivas foram suspensas, o que tem impactado diretamente na formação. Até mesmo as cirurgias de emergência têm encontrado dificuldade para serem realizadas. Eles informaram que têm realizados apenas atendimento laboratorial e procedimentos básicos.

Na pediatria, os residentes relataram que faltam medicamentos e insumos e também denunciaram que não estão podendo fazer diversos exames nos pacientes, devido à suspensão do convênio com o laboratório. Para agravar a situação, faltam médicos nos plantões da unidade, cada vez mais superlotada.

“O CREMERJ se preocupa muito com a residência médica de qualidade. Vocês precisam ter a oportunidade de se preparar de forma adequada, pois ela é fundamental para a vida profissional”, acrescentou Serafim Borges.

Pablo Vazquez disse que o CREMERJ elaborará uma carta relatando os problemas e cobrando providências à Secretaria Municipal de Saúde do Rio e à direção do hospital.

“Estamos vivendo um momento de grande retrocesso social e se a gente não for à luta, daqui a pouco acaba a residência médica e vocês vão assumir o mercado sem estar completamente preparado. O CREMERJ está ao lado de vocês para buscar condições melhores”, afirmou.