19 / 10 / 2017
Corpo clínico do Cardoso Fontes e CREMERJ se reúnem com DGH

O futuro do Hospital Federal Cardoso Fontes foi tema de uma reunião nessa quinta-feira, 19, entre representantes do corpo clínico da unidade, o CREMERJ e o diretor do Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) do Ministério da Saúde, Marcus Vinicius Fernandes.

O DGH afirmou que está analisando o perfil do Cardoso Fontes e pretende fortalecer a oncologia, estudando transformar o hospital em uma unidade especializada, que poderia, inclusive, estar ligada diretamente ao Instituto Nacional do Câncer (Inca). Segundo o diretor do departamento, o Cardoso Fontes já tem muita demanda de oncologia e poderia ter um enfoque nisso, trazendo capacitação do Inca.

Os representantes do hospital questionaram como isso seria feito e como ficariam as áreas não oncológicas da unidade, além da questão da falta de recursos humanos, principalmente com a não renovação dos contratos temporários. A pediatria do Cardoso Fontes, por exemplo, é um setor forte sem foco em oncologia, com cerca de 50 médicos e ambulatório com todas as especialidades. No entanto, já está com a emergência fechada e tem apenas cinco leitos de internação. Os representantes do corpo clínico questionaram como ficariam os pacientes desses serviços.

“Ter o objetivo de valorizar a oncologia é uma coisa, outra coisa é especializar o hospital e transformar todos os outros serviços em apoio à oncologia. O que vamos fazer com os pacientes que são atendidos hoje fora da oncologia? Eles vão para a regulação? Vamos ter que referenciar para outra unidade e sobrecarregá-la?”, questionou o médico Flávio Moutinho.

O presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, reforçou a ideia de que é necessário fazer um estudo detalhado sobre a unidade antes de decidir mudar seu perfil e que o ministério precisa dar uma solução ao financiamento e para a falta de profissionais:

“O ministro disse que aumentou o orçamento dos hospitais federais, mas isso não é verdade. Ainda mais quando levamos em conta o IPCA Saúde, que é muito maior que o convencional. No planejamento que o Ministério apresentou, havia uma diminuição no pessoal médico de 21%. O que vemos na prática são serviços fechando por falta de profissionais. Para mudar o perfil do hospital essas questões precisam ser resolvidas, e é preciso entrar nela, entender de verdade como ele funciona e quais são suas rotinas”, acrescentou Nahon.

Quanto aos contratos temporários dos profissionais dos hospitais federais, Marcus Vinicius Fernandes voltou a afirmar que haverá um novo certame. No entanto, ele ainda não aconteceu e há profissionais que já terão os contratos vencidos em 23 de outubro no Cardoso Fontes.

Estiveram presentes também representantes dos conselhos de enfermagem, odontologia, nutrição, fisioterapia, fonoaudiologia, farmácia e psicologia.